03 julho, 2016

CONQUISTANDO SONHOS




“O pensamento é o ensaio da ação.”  
                                      
                                                (Sigmund Freud)

Se parássemos, por um momento, para refletirmos sobre todas as coisas mais valiosas e importantes que conseguimos na vida, as conquistas que levamos anos para atingir; os sonhos, que, por vezes, demandaram décadas para serem atingidos, chegaremos, sem sombra de dúvida, à conclusão de que Freud, mais uma vez, acertou, quando formulou em palavras, a afirmação acima.

De fato, para ele, pensamento e sonho são palavras muito próximas e estão intimamente relacionadas. Freud sabia que o ser humano, para atingir um objetivo, teria que sonhar com ele. E, sonhando com ele, teria que pensar muitas vezes a respeito. Isso acabaria por inundar o campo de sua vontade consciente, transbordando para o inconsciente. E, uma força inconsciente, torna-se poderosíssima!

É certo que percorremos aqui o caminho inverso daquele buscado para a cura das neuroses visto que, para se curar uma neurose, o caminho inverso é que deve ser feito: o conflito inconsciente precisa tornar-se consciente para que a cura aconteça.

Mas, neste post, falamos de ação, de conquista de sonhos. Não de neuroses.

Portanto, se você deseja de todo o coração uma grande conquista, seja ela de que ordem for, pense! Pense muito nela e...sonhe com ela. Se tiver a capacidade de não abandonar o seu sonho, por inúmeros que possam ser os percalços que irá enfrentar, você o conquistará.

Não duvide disso, e voe como águia. Parta em busca de seu ideal.

Antônio Ayres

25 setembro, 2015

USANDO CORES E CRIATIVADE PARA COMBATER O ESTRESSE


Durante os anos em que este blog tem estado no ar, temos procurado sempre, além de fornecer ajuda e aconselhamento nas questões psicológicas ligadas aos problemas de relacionamento; oferecer também uma visão geral sobre doenças emocionais e psiquiátricas, nas quais a psicanálise ou, se preferirem, a psicologia clínica possa contribui para a cura.

Mas a psicologia, por si mesma, não teria nenhum valor prático, se não lançasse mão de técnicas ou abordagens que, aliadas ou não a medicamentos, restauram o equilíbrio do paciente, tornando-o livre e protagonista de sua própria história.

Hoje, desejamos falar um pouquinho sobre o estresse.

Como todos nós sabemos, o estresse é uma situação emocional caracterizada por sensações desagradáveis, tais como: nervosismo, indignação, frustração, medo, irritação, desconforto, falta de ar, sudorese e preocupação.

Ele pode aparecer, como componente de distúrbios, tais como:

·        Síndrome do Pânico

·        Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

·        Transtorno por Estresse Pós-Traumático (TEPT).

 Ou, pode também aparecer em situações que ocorrem em algum momento da vida, tais como:

·        Casamento

·        Mudança de emprego

·        Divórcio

·        Nascimento de um filho

·        Aposentadoria.

É claro que, até certo nível, o estresse é benéfico, pois, nos prepara para a defesa, tornando-nos alertas para enfrentarmos situações de perigo reais.

Todavia, quando ele surge exacerbado como nas patologias ou nas situações de vida que enumeramos acima, pode tornar-se crônico e ser devastador para o organismo.

Nesse caso, ele precisa ser combatido através de um tratamento psicoterápico apenas; ou com psicoterapia aliada a medicamentos específicos, que só devem ser prescritos pelo médico psiquiatra.

Independente, porém, da necessidade do uso ou não de medicamentos, uma série de técnicas têm se mostrado eficazes para a diminuição e até mesmo para a eliminação do estresse anormal.

Entre essas técnicas, podemos citar: a prática de exercícios físicos, a adoção de uma alimentação saudável, a aquisição de um animal de estimação, a restauração das energias através de um sono saudável e, em especial, pelo desenvolvimento do lado criativo da pessoa, através do cultivo de um hobby, como a pintura, por exemplo.

O conhecido psicanalista americano Rollo May, um admirador de grandes pintores como Paul Gauguin e Paul Cézanne, ele mesmo pintava seu próprios quadros, atividade que, sem dúvida, lhe proporcionou preciosos momentos de paz e de serenidade.

Claro que nenhum de nós tem a pretensão de se tornar um pintor famoso como os personagens citados no parágrafo anterior.

Entretanto, hoje, temos a grande vantagem dos computadores e dos softwares que permitem que qualquer pessoa possa fazer trabalhos maravilhosos, e com eles, combater, de forma lúdica e criativa, o estresse e suas conseqüências.

Para os nossos leitores que desejam uma atividade desse tipo, recomendamos, com grande ênfase, a aquisição de um dos softwares da empresa AKVIS – TOOLS TO INSPIRE IMAGINATION,  desenvolvedora de uma série de programas de computadores que facilitam a criatividade das pessoas, sejam elas profissionais da área; ou ,amadoras ( como a maioria dos que lêem este blog).

De forma especial, particularmente, recomendamos o programa AKVIS Coloriage, que utilizamos como ferramenta para um hobby pessoal, mas que nos traz imensa satisfação e, através do qual, combatemos ludicamente, o nosso estresse.

Esse software nos permite utilizar cores para transformarmos, com muita facilidade, fotos antigas em preto e branco, em vívidas fotos coloridas.

No exemplo abaixo, apenas a título de ilustração do que dissemos, colocamos uma fotografia da atriz Carroll Baker, originalmente em preto e branco; que colorizamos, utilizando o AKVIS Coloriage.



   
À primeira vista, você pode imaginar que foi um trabalho difícil e demorado. No entanto, foi uma atividade muito fácil, muito agradável, que nos trouxe grande satisfação.

Se você, leitor, também deseja combater o estresse de forma lúdica e criativa, utilizando cores, a AKVIS  disponibiliza o programa para que você o experimente gratuitamente, durante 10 dias.

Clique aqui para fazer o download, ou vá diretamente para o site da empresa para ver os demais produtos. Temos certeza que você irá gostar.

Finalizamos este artigo, esperando que a dica tenha sido útil. 

Desejamos ter contribuído para o seu bem estar.


Forte abraço!

Antônio Tadeu

01 dezembro, 2013

TRAUMA DO NASCIMENTO, ANSIEDADE E AMOR


O chamado “trauma do nascimento” foi objeto de estudo do psicanalista vienense Otto Rank que, aliás, como um de seus legados, deixou um livro escrito, exatamente com esse nome.

Opondo-se a Freud, de quem foi discípulo por muitos anos, Rank passou a ver a origem das neuroses num período da vida muito anterior àquele estabelecido por seu mestre, em sua teoria psicanalítica.

Para Rank, portanto, a ansiedade experimentada pelo indivíduo deriva do ato fisiológico do momento de seu nascimento, visto como um instante traumático, pois, além dele passar  por um sofrimento físico de desconforto absoluto, sofre também a sua desvinculação do útero materno.

Essa ansiedade, derivada do trauma do nascimento passa, então, a ser a gênese daquela sensação de “vazio”, que, de uma forma ou de outra, acaba nos impelindo para a busca de uma completude, que, para alguns, pode realmente ser encontrada, enquanto para outros, permanece como uma eterna busca.

O certo, porém, é que, no decorrer da vida, passamos a procurar por um “preenchimento” de nosso “vazio” ou de nossa incompletude.

Via de regra, o remédio para essa carência é o encontro de uma  certa sensação de aconchego, que reproduzirá e nós o que sentíamos com a nossa mãe, na verdade, o nosso primeiro objeto de amor.

De acordo com o psicanalista Flávio Gikovate, “...em papeis antagônicos, o bebê e sua mãe sentem a mesma emoção: o amor entre ambos é recíproco, apesar de que um cuida e o outro é cuidado”.


Ainda de acordo com o mesmo psicanalista, “...é interessante refletir sobre essa relação, pois a mãe, ao acolher e amamentar seu filho, também experimenta intensa sensação de aconchego!”
Essa espécie de “simbiose” entre mãe e filho, acaba se perenizando nas relações íntimas entre adultos, haja vista a repetição desse modelo: um parceiro é o que cuida mais enquanto o outro é quem recebe maior dose de cuidado.

Usualmente, aquele que cuida  tem mais certeza de seus sentimentos. Já quem é cuidado tende a duvidar de quanto ama, exatamente em razão das vantagens que obtém, o que não deixa de ser interessante.

Em linhas gerais, na relação amorosa entre adultos, passa a vigorar, então, a seguinte regra: os que preferem ser cuidados, ao invés de cuidar, são emocionalmente mais imaturos  e egoístas.


O ideal seria que nas relações amorosas entre adultos, os papeis se alternassem: o homem seria, algumas vezes, o pai e, algumas vezes, o filho; e a mulher, por sua vez, seria, algumas vezes, a mãe, e, algumas vezes, a filha.

Esse ideal não é tão difícil de ser alcançado e, quando de fato, o é, temos, então, uma relação amorosa, ao mesmo tempo madura e aconchegante!


Antônio Tadeu

10 agosto, 2013

SONHAR E CORRER RISCOS




Saiba de uma coisa: todos nós somos movidos por sonhos e é por essa razão que os seres humanos devem cultivar essa maravilhosa capacidade de sonhar. Os limites de um animal são dados pela extensão de sua pele, mas os limites de um homem ou de uma mulher são medidos pela sua capacidade de sonhar.

É claro que não estou me referindo aqui às representações oníricas, ou seja, às imagens simbólicas que representam os sonhos de quando estamos dormindo e constituem a manifestação da parte inconsciente de nosso ego.

Refiro-me aos sonhos que cultivamos no mais íntimo de nosso ser. Aquele tipo especial de sonho que foi plantado por Deus no coração de Abrão, quando o chamou para fora de sua tenda e lhe disse:

“Olha para o céu e conta as estrelas, se é que podes”.

Parece-me ver Abraão, tentando contar:

”Uma...,duas...,dez...,cento e trinta...,mil e vinte e uma...,perdão, Senhor, são milhares, são milhões....!”

Então o Senhor lhe disse:

“Pois, assim será a sua descendência”.

Naquele momento, tenho certeza de os olhos de Abrão brilharam, pois ele viu em cada uma daquelas brilhantes estrelinhas, um filho seu!

Então, qual é o “seu sonho”?

Mas...para que o sonho se realize, é preciso também que corramos riscos, que tomemos coragem de sair de nossa zona de conforto e deixemos a chuva cair em nossas costas.

Soren Kierkegaard, filósofo dinamarquês do passado, disse: “Quem se arrisca, corre o risco de perder o pé por um pouco; quem não se arrisca, perde a vida”.

A vida está passando...Corra riscos! Permita que o seu sonho se realize!



Antônio Ayres

19 julho, 2013

A AUTO-SABOTAGEM


Uma questão muito interessante no mundo das inter-relações pessoais é aquela que diz respeito a pessoas maduras, de alguma forma traumatizadas por relacionamentos vivenciados ao longo dos anos, que, de uma forma aparentemente inexplicável, agem contraditoriamente, quando se vêm diante de uma possibilidade real de ser feliz, num segundo casamento, por exemplo.

Em geral, esse universo de pessoas é composto por indivíduos que vivenciaram muitos sofrimentos, às vezes lutos, às vezes decepções por relacionamentos acabados; quando vislumbram a possibilidade de voltarem a ser felizes.

Tais indivíduos, quando percebem que encontraram um novo alguém especial, ficam tão embalados pelo sonho de felicidade, que acabam ficando ansiosos demais, em virtude do excesso de expectativas que lhe sobrevêm.

Tudo isso é um mecanismo inconsciente, mas funciona mais ou menos, assim:

A pessoa começa a sentir medo da própria felicidade que está sentindo, em razão do outro medo, que é de perder o objeto amado (no caso, a outra pessoa), o que ela não suportaria. Então, a sua mente inconsciente conspira contra ela e a ansiedade, gerada pelo medo de perder a pessoa querida fica tão grande, que se torna insuportável.

Nesse ponto, a fim de ver-se livre da ansiedade (lembre-se de que tudo isso é inconsciente), ela acaba boicotando a própria possibilidade de ser feliz, "dando um jeito" de desagradar e magoar o objeto amado, e terminar, assim a relação, para ver-se livre da terrível ansiedade. Mas, com isso, acaba perdendo também a possibilidade de ser feliz.

Essa é a descrição daquilo que os psicoterapeutas costumam chamar de auto-sabotagem.

As pessoas que se perceberem vítimas dessa situação precisam procurar ajuda psicoterapêutica, a fim de não inviabilizarem a própria felicidade.

Afinal, ser feliz, é objetivo de todos nós.

 Antônio Ayres


08 março, 2013

CARTA A UMA MULHER QUE DESEJA DIVORCIAR-SE DE UM ESPOSO INQUIETO

Prezada “X”


Se você está casada há 30 anos, imaginando que tenha se casado com uns vinte, deve estar agora com a idade ao redor dos 50 anos.


Nessa altura da vida, todos os casais já viveram conflitos e problemas suficientes para que cada parceiro conheça o outro também suficientemente bem e, portanto, têm noção sobre o que vale ou não a pena, em termos de relacionamento.


Espero que, com a sua idade, você seja madura o bastante para ter consciência de todas as implicações que uma tomada de decisão acarretará, seja ela em que direção for.


É preciso também que se lembre de que, quando se escolhe alguém para com ele partilhar a vida, você está adquirindo o "pacote inteiro". Com isso, quero dizer que você já deve ter compreendido que assumiu um compromisso não apenas com a parte virtuosa de seu esposo, mas com a parte de defeitos também.


Compreendo o seu mal estar pela personalidade inquieta dele. Talvez, um dia você tenha sonhado com alguém que lhe desse tranqüilidade, paz e segurança, mas, as nossas escolhas nem sempre  (ou quase nunca) revelam-se tão gratificantes como as idealizamos.


Você se confessa cristã e seu marido também. Mas, o fato de sermos cristãos não significa que sejamos melhores ou piores do que outras pessoas, em termos de relacionamento. 


Todos nós precisamos despender um certo esforço e sermos menos egoístas para que consigamos conviver em harmonia com quem escolhemos como parceiro. Isso não é fácil, mas é necessário para tornar a existência mais amena e menos dura.


Agora, como disse anteriormente, você deve ter consciência das implicações de suas decisões.


Em outras palavras, creio que deve refletir bastante no que irá fazer. Veja bem, você e seu esposo já partilharam não apenas sonhos (que incluíram, inclusive a adoção de um filho). Com certeza, tiveram momentos felizes também. Construíram um relacionamento que já dura 30 anos e isso não é pouca coisa.


Todavia, a despeito de tudo isso, pode ser que você realmente tenha certeza de que não o ama mais e que não valeria a pena continuar nesse casamento. Neste caso, então, pergunte-se a si mesma: O que faria, voltando a ficar solteira com a sua idade?


Valeria isso a pena? Teria a chance de reconstruir sua vida com outro parceiro mais confiável? Teria condições de se sustentar física e emocionalmente? Teria estrutura suficiente para começar tudo do zero? 


Se puder responder "sim" a todas essas perguntas; então creio que vale a pena pensar nessa possibilidade. Afinal, não se pode viver acorrentado a uma união apenas de aparências, pois isso seria muito infeliz.


Todavia, se tiver dúvidas quanto as perguntas, creio que é possível dar uma chance a seu casamento, pois, apesar de você dizer que falta diálogo nele; o próprio fato de seu marido reconhecer que não sabe dialogar já demonstra que ele admite esse diálogo.


Como vê, eu apenas posso ajudá-la, chamando a sua atenção para alguns pontos.


A decisão final será sua, pois, ninguém pode decidir nada por outrem.


Espero que reflita, que deixe a graça de Deus arejar seus pensamentos, que perceba que sempre é tempo para mudanças e que a esperança é uma parceira muito íntima da fé.


Seja o que for o que decidir, espero que o faça com os pés no chão e que acredite que, com a ajuda de Deus, ser feliz não é, absolutamente, impossível.
N'Ele, em quem reside toda a esperança.


Antônio Ayres


(Tony)

22 fevereiro, 2013

A LOUCURA DE NIETZSCHE E O ATEÍSMO DE EX- CRISTÃOS

Friedrich Wilhelm Nietzsche, como bem sabem seus admiradores, nasceu no seio de uma família luterana em 15 de outubro de 1844. A família original (conforme nos ensina a Psicanálise) é o espelho que serve para moldar, positiva ou negativamente, a formação da identidade do indivíduo adulto.

Muito freqüentemente, quando essa família é bem estruturada, amorosa e acolhedora, a criança que dela promanar, se tornará um adulto psiquicamente saudável e capaz de experimentar uma existência livre de neuroses, apto a transpor os problemas de sua evolução existencial.

Nietzsche era filho de Karl Ludwig e seus dois avós eram pastores protestantes, fato que não garante; mas que valida a presunção de que tenha crescido num ambiente sadio, uma vez que ele próprio considerou seriamente a possibilidade de seguir a carreira de pastor. 

No entanto, em razão de influências posteriores, Nietzsche rejeitou a fé durante sua adolescência, e, ao invés de estudar Teologia, como havia pretendido, decidiu-se pela Filologia e pelas especulações filosóficas, tornando-se, talvez, o mais influente e destacado filósofo da era moderna. 

UM PREÇO A PAGAR

Cumpre-nos discutir ligeiramente, aqui, que quando o indivíduo rompe bruscamente com a sua formação original, indo na direção oposta; essa mudança pode não ser intimamente autêntica e, nesse caso, transforma-se numa fonte de neuroses, as quais, sendo na verdade frutos de catexias inconscientemente reprimidas, tornam-se patológicas, e adotam o mecanismo de defesa conhecido como NEGAÇÃO, para fazerem-se representar; além de sintomas somáticos que passam a interferir na saúde física de quem delas passa a ser portador.

O CASO DE NIETZSCHE

Evidentemente, este modesto psicanalista que escreve estas linhas não tem a pretensão de ser o dono da verdade. No entanto, tenho sérias razões para pensar que o que descrevi acima pode, com boa margem de possibilidade, ter sido o caso desse brilhante filósofo.

Três razões principais fazem-me pensar dessa forma:

1. A saúde frágil de Nietzsche, suas constantes dores de cabeça e outros sintomas que o afligiram desde a sua mudança radical, aliados à sua contínua inquietação constituem conhecidos e tradicionais sintomas somáticos de pacientes, vítimas da NEGAÇÃO. 

2. Um outro sinal muito evidente de quem adota a NEGAÇÃO como mecanismo de defesa é uma ira extremada e um ódio obsedante, dirigidos sempre ao objeto dessa negação (no caso de Nietzsche, com muita clareza, o cristianismo) que passa a atacar obssessivamente.

3. Finalmente, a possibilidade bastante provável de um conjunto de neuroses ser tão avassalador, que pode  transformar-se numa psicose. De acordo com o que conceituou Freud e o próprio Carl Gustav Jung, seu discípulo dissidente, a esquizofrenia é o último e derradeiro refúgio no qual a defesa do ego adoecido pode se abrigar. Todos sabemos que, infelizmente para a filosofia e para o próprio filósofo, Niezsche ficou louco, cerca de dez anos antes de morrer.

CONCLUSÃO

A razão de tudo o que descrevi acima tem um propósito.

Convidar os leitores deste blog a uma séria reflexão. Infelizmente, para nós, que participamos da blogosfera conhecida como cristã, dois ou três irmão em Cristo, também dizem que mudaram radicalmente em suas convicções e se auto-proclamam, agora, ateus convictos.

Desconfio desse ateísmo. Temo que ele seja também, uma vez mais, a repressão da fé sob o disfarce do mecanismo de defesa da NEGAÇÃO, haja vista os arrebatadores ataques que agora fazem ao cristianismo.

Finalizando, fecho esta postagem, destacando que o contrário da fé não é a descrença. O contrário da fé é o medo.

Tony Ayres
NOTA: para atendimento on-line por Tony Ayres, visite o site:
http://www.wix.com/tony_ayres_psic/psicoterapeutaonline


30 outubro, 2012

A Mesma Mente Que Nos Protege Nos Delata

FORMAÇÃO REATIVA Um dos estudos mais fascinantes da Psicanálise constitui, sem dúvida, os chamados "mecanismos de defesa". Todos nós possuímos mecanismos de defesa, que utilizamos, diariamente, para nos proteger de estímulos internos (provindos de nós mesmos) ou de estímulos externos (provindos do meio externo ou de outras pessoas).
Na verdade, todo mecanismo de defesa é uma "tática" que o nosso inconsciente utiliza para manipular alguma coisa que irá nos ofender, nos magoar ou nos ferir. Utilizamos "inconscientemente" o mecanismos de defesa e saímos "ilesos" da situação traumática.
Os mais conhecidos são:a negação, a regressão, a projeção e a sublimação, entre outros. Todos eles são utilizados com a mesma finalidade: Proteger o indivíduo contra a ansiedade.
UM MECANISMO DE DEFESA ESPECIALMENTE IMPORTANTE
Desejamos, agora, abordar um mecanismo de defesa não muito conhecido pelas pessoas em geral, mas que se reveste, devido à sua ação, de especial importância. Refererimo-nos à Formação Reativa.
Na Formação Reativa, protegemo-nos da ansiedade, manipulando uma percepção interna, transformando, equivocadamente, um sentimento em seu oposto. Com muita frequência, transformamos amor em agressão; ou agressão em amor.
A HISTÓRIA DE BEETHOVEN
Uma história conhecida, que ilustra o que dissemos acima, é a do famoso compositor Beethoven. O episódio envolveu Karl, sobrinho de Beethoven, e a sua cunhada Johana, mãe do Karl. O compositor desenvolveu um ódio extremamente irracional por Johana e uma firme convicção de que era o seu dever resgatar Karl de sua influência.
Hoje se cogita, com convincente razão de que, na verdade, o ódio de Beethoven camuflava uma intensa atração passional que ele nutria por Johana. Beethoven utilizou-se, para se proteger, de uma Formação Reativa.
É IMPORTANTE SABER ISSO?
Obviamente, é muito importante conhecer o funcionamento desse mecanismo de defesa para entendermos, muitas vezes, o que está subjacente àquilo que ouvimos, vimos ou presenciamos.
Vamos a alguns exemplos, que podem estar presentes em nossa vida cotidiana. Se o pastor de determinada igreja faz um sermão no qual condena a sensualidade e a pornografia, ele está fazendo aquilo que é inerente à sua função de cuidar de seu rebanho.
Mas, se esse mesmo pastor demonstra obssessão por pregar sempre contra a sensualidade e a pornografia, muito provavelmente ele é que está sendo alvo dessas tentações e deve estar seduzido por elas.
Um outro exemplo: aquele televangelista que está continuamente apontando na TV os "críticos de mau caráter" pode, simplesmente, estar demonstrando que o "crítico mau caráter" é ele mesmo.
Vemos, pelo que aqui foi exposto que o nosso cérebro e a nossa mente são como uma faca de dois gumes. Eles, com toda certeza, nos protegem. Mas podem, também, nos delatar.
Tony Ayres

06 outubro, 2012

Idade Certa Para Se Casar. Isso Existe?

youger husband Até há alguns anos, se uma mulher se casasse com um homem mais novo, isso seria, com certeza, motivo de muita polêmica.

Hoje, no entanto, principalmente depois que conhecidas apresentadoras e atrizes da TV assumiram um relacionamento com homens muito mais novos do que elas, a situação mudou radicalmente.

Namorar ou até mesmo se casar com alguém bem mais jovem deixou de ser tido como alguma coisa "do outro mundo", sendo visto até, com relativa normalidade. No entanto, como cristãos que somos, bom é refletirmos sobre essa questão de uma maneira equilibrada.
Comecemos pela Bíblia:

O PENSAMENTO PAULINO


No que se refere ao casamento, o apóstolo Paulo nunca escondeu a sua opinião pessoal de que era preferível para os cristãos que permanecessem celibatários. No entanto, admitia, é claro, a união conjugal. Veja o que ele diz:

"Você tem esposa? Então não procure se separar dela. Você é solteiro? Então não procure esposa. Porém se você se casa, não comete pecado. E se a moça solteira se casa, também não comete pecado. Mas eu gostaria de livrá-los dos problemas que vocês terão na vida de casados" (I Cor. 7.27-28). "Eu quero livrá-los das preocupações. O solteiro se interessa pelas coisas do Senhor, porque quer agradá-lo" (I Cor. 7.32).

No mesmo capítulo, no verso 39, ele diz: "A mulher não está livre enquanto o seu marido vive. Caso o marido morra, ela fica livre para se casar com quem quiser. Mas, deve ser casamento cristão. Porém, ela será mais feliz se ficar como está. Esta é minha opinião, e penso que eu também tenho o Espírito de Deus".

CASAR-SE COM MENOS OU MAIS IDADE?


O leitor mais atento deve ter notado que, no texto de Paulo acima, grifamos as expressões: "moça solteira" e "com quem quiser". Existe uma razão para isso.

Analisando o contexto, percebe-se que, no primeiro caso, o apóstolo está se referindo a pessoas mais novas (os jovens, que, como é natural nesta época da vida, desejam casar-se e constituir família). A palavra "moça" deixa muito claro isso.

No segundo caso, quando Paulo está falando sobre o vínculo matrimonial, ensina às mulheres que este termina com a morte do marido. E então diz que, ocorrendo essa hipótese, a mulher fica livre para casar-se "com quem quiser", desde que o casamento seja cristão.

Refletindo um pouco sobre essa expressão ("com quem quiser") claro está que, desde que o novo cônjuge seja cristão, não existe nenhuma restrição em relação à idade.

Esse novo relacionamento pode, obviamente, ser com uma pessoa mais nova, mais velha ou da mesma idade. Certamente que a experiência de vida e a maturidade devem ser os árbitros nessa questão.

Afinal de contas, existe um ditado popular que diz que "cada um sabe onde o sapato aperta". Isso, na vida cotidiana dos seres humanos é uma verdade que não pode ser ignorada.

O MUNDO REAL QUE PRECISA SER LEVADO EM CONTA


Existem, na vida de todas as pessoas (inclusive as cristãs evangélicas), um mundo real e um mundo da fantasia. Psicanaliticamente falando, diríamos que há um "mundo consciente" e um "mundo inconsciente".

Infelizmente, a maior parte dos erros cometidos pelas pessoas, ocorre, porque elas estão sendo guiadas pelo seu "mundo inconsciente". Daí, a necessidade que vimos, na escrita deste artigo.

No início dele, fizemos referência "à moda", hoje vigente na sociedade, notoriamente entre mulheres famosas da televisão, de estarem assumindo um relacionamento estável ou se casando com homens que poderiam ser seus filhos. Será que isso pode dar certo?

O QUE NOS ENSINA A BIOLOGIA?


O estudo sistemático dos fatores biológicos, que intervêm nas diversas etapas da vida do ser humano, comprova algumas verdades que não devem ser desconsideradas.

Uma delas é que, em função da maior complexidade do organismo feminino (afinal é a mulher que foi "programada" para a gestação), ela não apenas possui uma série de órgãos que o homem não tem (útero, trompas, ovários, etc); como também, tem uma diversidade hormonal significativa.

Isso a leva a passar por problemas que não afligem os homens: TPM (tensão pré-menstrual, menstruação, instabilidade emocional, maior propensão para problemas com a tireoide, etc). Isso, sem mencionar os outros que se acrescentarão, na época da menopausa.

Esses fatores, combinados com o fato de que é a mulher que carrega dentro de si por nove meses o filho, a cada nova gravidez; e que é quem realmente dá à luz a eles (isso interfere extremamente em seu metabolismo) acaba redundando num fato: geralmente os sinais da idade se apresentam mais cedo para ela!
Em outras palavras (cirurgias plásticas e reposições hormonais à parte) a mulher envelhece mais cedo que os homens. É claro que existem exceções, mas geralmente as coisas acontecem assim.

Por essa razão, artigos médicos têm sugerido que, para amenizar os problemas que poderão advir dessas diferenças, seria (idealmente falando) recomendável que houvesse uma diferença entre quatro e seis anos entre o homem e a mulher.

Colocando com mais clareza: o casal ideal seria aquele em que o homem seria entre 4 e 6 anos mais velho do que a mulher.


O QUE NOS ENSINA A PSICOLOGIA?


Dissemos em um outro artigo que, após a puberdade, por volta dos dezessete ou dezoito anos de idade, uma moça é muito mais madura do que um rapaz. Mas isso nem sempre é assim e, mesmo que fosse, essa não é uma situação que costuma perdurar para sempre.

Psicologicamente falando, tanto o homem quanto à mulher podem ser imaturos ou maduros, em qualquer época da vida. Julgamos que é nesse ponto que se concentra a maior importância de nossa reflexão.

Por esse motivo, aconselhamos que, além de pensar bastante sobre tudo o que já dissemos até aqui, você que tenciona ou não descarta a possibilidade de envolvimento emocional com outra pessoa com grande diferença de idade, considere também os seguintes aspectos:

1.O relacionamento entre pessoas com diferenças de idade tem um grau de complexidade maior. Casais assim costumam ser vítimas de críticas, preconceitos e ironias.

2.Os riscos de uma relação desfavorável, nesse tipo de casamento, geralmente advêm de conflitos provenientes das fases diferentes da vida dos cônjuges. Desníveis educacionais, motivacionais e de idéias em geral podem levar a desentendimentos.

3.Nunca é demais lembrar que, quando não existe amor, as motivações para o relacionamento entre mulheres mais velhas e homens mais novos podem ser contra-indicadas, por razões, às vezes, escusas:

O homem em questão pode estar à procura de facilidades financeiras e a mulher pode estar vivendo uma dificuldade em aceitar o seu processo natural de envelhecimento.

4.Embora muitos não concordem, a verdade é que é um fato comprovado pela psicanálise que o homem pode estar procurando na mulher mais velha, uma mãe; e a mulher pode estar procurando nele um filho. Isso, configuraria, a nível inconsciente, um "incesto", com implicações psicológicas graves.

5.O mais novo pode estar buscando no outro uma pessoa para se relacionar que tenha mais cultura, maturidade e sabedoria. A ausência de um amor autêntico, neste caso, teria conseqüências desastrosas.

6.Seres humanos têm necessidade de afeto. Isso se traduz naquele desejo saudável de se envolver amorosamente e ser correspondido. No entanto, ao conseguir essa correspondência, outras emoções podem surgir: paixão, apego e alegria.

Todavia, quando a paixão termina e permite que se abra um espaço para a realidade, a seguinte pergunta pode ser inevitável: "como posso ser capaz de amar uma pessoa tão mais velha que eu?"

7. Ao entrar nesse tipo de relação, os envolvidos devem ter a consciência de que ela está unindo pessoas com momentos de vida diferentes. Por essa razão, é preciso avaliar todas as prioridades e estar disposto(a) a fazer concessões. Quando a diferença de idade é muito grande, sempre ocorrerá alguma perda.

CONCLUSÃO


É possível que o leitor que nos acompanhou até aqui tenha imaginado que a nossa conclusão pudesse ser diferente da que estamos apresentando. Pessoalmente, sabemos das dificuldades por que passam os cristãos (as mulheres, em especial) em encontrar um companheiro digno, para a vida.

Portanto, relembrando a expressão de Paulo, utilizada neste artigo de que as mulheres estão livres para se casar "com quem quiser", desde que o casamento seja de acordo com os preceitos cristãos, pensamos que esse "com quem quiser" abarca pessoas de qualquer idade, inclusive mais novas, se for o caso.

Dificuldades na relação existem sempre, com diferenças de idade ou não. Por outro lado, é certo que idade não é sinônimo de maturidade nem garante o conhecimento do sexo oposto.

A solução que vislumbramos, portanto, ao se conviver com um parceiro com uma diferença grande ou pequena de idade é simplesmente admirá-lo, aceitá-lo e amá-lo por tudo o que é e representa. O resto é o resto.

Tony Ayres

30 maio, 2012

O Que Você Está Fazendo Com Seu Cônjuge?







" Ensina-nos a contar os nossos dias de
 tal maneira que alcancemos corações sábios”.
(Salmo 90.2)


Ao longo de alguns anos, tenho já, neste espaço, escrito a respeito de muitas mazelas que perturbam os corações e os relacionamentos humanos, principalmente, no que diz respeito à relação específica: “homem-mulher”.

No decorrer deste tempo, tenho percebido que os cristãos têm se esquecido de que a expressão “ser cristão” significa “ser seguidor de Cristo”; e, esquecendo-se dessa verdade fundamental, a vida perde a sua característica de “cruz”, com tudo o que essa palavra pode significar.

Perde-se, então, o norte que antes existia e passa-se a viver uma vida de uma filosofia de um humanismo para lá de extremado, através do qual vivencia-se um egoísmo que, de tão aterrador, transformou-se escrachadamente em puro egocentrismo, da pior espécie.

Jovens maridos não suportam mais as esposas que, há apenas dois ou três anos, juravam amar. Jovem esposas são abandonadas, com filhos pequenos a serem criados. Ou são as jovens esposas, inquietas e belicosas, que abandonam os maridos e vão viver “liberalmente” e sem Deus.

Onde estão os homens e mulheres de verdade? Onde foram parar aqueles que, a exemplo do que ensinou o apóstolo Paulo, consideram o outro (o cônjuge) como uma extensão de seus próprios corpos, e, assim, deles cuidam, como se fossem a si mesmos?

Quantos jovens esposas ou jovens maridos têm escrito aqui neste blog coisas semelhantes a esta: “...casei
-me com ele(a) há três meses, mas acho que não o(a) amo mais, ajude-me, por favor!”

Ora, de que naipe  foi feito uma pessoa dessas? Onde está a fibra, a vontade de construir uma relação a dois para a vida?

Coloquei a foto da princesa Diana nesta postagem, propositalmente. Apesar de ser apenas uma foto colorizada, vejam o brilho, a inocência, a esperança de uma vida cheia de felicidade, estampados no rosto de uma jovem, no dia de seu casamento?

O anos nos mostraram que tudo isso se converteu em desilusão, dor e, por último, numa tragédia, que ceifou a sua vida.

Caro leitor ou leitora. Desejo que reflita em todas essas coisas, antes de reclamar ou dizer que vai abandonar o seu cônjuge. Antes disso, reflita como Moisés, no Salmo 90:

“ Ensina-nos a contar os nossos dias de  tal maneira que alcancemos corações sábios”.

Desejo-lhe que seja feliz.

Antônio Ayres 

16 março, 2012

Crer na Bíblia significa cometer suicídio intelectual?

cena do filme "Criação", que fala das questões de fé de Darwin

Sirvo-me, mais uma vez, desta página, para tentar despertar, talvez, em alguns de meus leitores, a importância de razoabilidade, quando tratamos das questões de fé.

Falando com muita honestidade, penso que estamos vivendo um momento da história da humanidade ímpar, em razão das muitíssimas descobertas da ciência e do fenomenal aporte de novos conhecimentos em todas as áreas do saber humano.

Todavia, não é apenas por esses motivos que acho o momento ímpar.

O momento histórico é impar em razão das consequências que as novas descobertas tem produzido; não digo nem na religião, mas na fé das pessoas.

Os cristãos que, conscientemente ou não, professam uma fé fundamentalista, encontram-se, de repente, diante de uma sinuca de bico existencial: ou acreditam na ciência e deixam de crer na Bíblia; ou aceitam a Bíblia literalmente ("ao pé da letra") e cometem  um suicídio intelectual. Parece-lhes não haver um meio termo que possa apaziguar o coração.

Para a mim, a grande saída é exatamente o fato de que esse meio termo existe, e podemos conviver com ele pacificamente, sem abrirmos mão de nossa fé (o que seria uma loucura); mas também, sem deixar de referendar as promissoras descobertas científicas.

Evidentemente, em função de minha formação terapêutica, não posso e nem desejo julgar quem está certo e quem está errado.

EXEMPLO BÍBLICO

Para explicar o meu ponto de vista sobre essa questão, vou valer-me tão somente do exemplo bíblico, representado pelos capítulos 1 e 2 do Gênesis. Ali encontramos a descrição da criação do mundo e, particularmente, da criação do homem, na história de Adão e Eva.

É minha opinião que tais fatos possam ser vistos como uma "fotografia", quando se crê na literalidade do texto. Mas podem também ser vistos como uma "radiografia", quando se entende que o texto constitui uma metáfora, uma representação simbólica para a criação, visão esta que, atestam os próprios cientistas, comporta a própria Teoria da Evolução das Espécies.

Como se vê, a questão pode e deve ser objeto de ponderações. Isso é razoável.

O que não é razoável é apostatar da fé e tornar-se ateu, em função de uma radicalização irrefletida.

Soli Deo Gloria

Antônio Tadeu Ayres