O Meio Determina o Caráter?

Jesus no caminho de Emaús As generalizações são sempre perigosas. Elas envolvem os inocentes no mesmo embrulho onde estão enrolados os culpados e, por essa razão mesma, são injustas.

Sempre haverá exceções que fogem à regra.

Feita essa observação inicial, desejo externar aqui o meu assombro diante de colocações que algumas vezes ainda encontro aqui e acolá; em palestras, sermões ou preleções, que afirmam que o homem é um produto do meio onde vive.

Ora, se isso fosse verdade, toda pessoa nascida na Rocinha, no Rio de Janeiro; ou na favela de Heliópolis,em São Paulo, seriam, necessáriamente, traficantes ou usuários de drogas, o que, absolutamente, não é verdade.

Se o meio realmente determinasse o caráter de uma pessoa, Ló, chamado de justo, na Bíblia, teria se tornado um sodomita (no sentido depreciativo da palavra); assim como  Daniel e seus companheiros teriam sido seduzidos pelas iguarias da corte para onde foram levados, a fim se servirem ao rei.

MINHA HISTÓRIA

poor-working-boy-thumb10562014 Em minha infância, convivi de perto com a prostituição, com a pobreza e com a delinquência. Mas, essas coisas não fizeram de mim uma pessoa desvairada, torta na vida e sem Deus. Ao contrário, serviram-me de incentivo para que, muito cedo, eu O encontrasse.

Não me envergonho em dizer que faz parte de meu currículo profissional, as seguintes atividades: catador de esterco, catador de vidros, bananeiro, limpador de teares em fábricas de tecidos; sorveteiro, bóia-fria, lavador de carros, etc.

Nem por isso tornei-me um revoltado com a vida. Trabalhei e estudei muito para sair daquela situação. Não me tornei rico nem tenho tal pretensão.

Mas consegui uma realização pessoal, enquanto ser humano digno e isso me faz feliz. Por esse motivo, repudio os “deterministas” e todos aqueles que “profetizam” apenas o que é ruim, destrutivo e amedrontador.

Deus tem um propósito em minha vida. Deus também tem um propósito em sua vida. Pode estar certo de que os propóstos de Deus SEMPRE SÃO BONS.

Creia nisso; permita que a luz de Cristo ilumine a sua vida e que as Suas palavras aqueçam o seu coração, assim como aqueceram os corações dos discípulos a caminho de Emaús.

SHALOM

Tony Ayres

POSSESSÃO OU DOENÇA EMOCIONAL?

Checkup-OCD-Obsessive-Compulsive-Disorder_full_article_vertical Algumas confusões podem ser feitas por pessoas cristãs sinceras, quando se deparam com aquilo que comumente é conhecido como “manifestações espirituais”, obviamente, quando se referem a fenômenos negativos, que infligem sofrimento à pessoa.

Este post tem como objetivo lançar, despretensiosamente, alguma luz sobre a questão.

Em primeiro lugar, convém deixar claro que não é um procedimento correto “demonizar” todo e qualquer fenômeno psíquico-emocional, deixando o diabo com as costas mais largas do que, realmente, ele tem.

Por outro lado, embora o pensamento de muitos, a respeito do assunto ainda permaneça no estágio medieval; é igualmente insensato afirmar que o diabo não existe e que não exerce a sua ação sobre os seres humanos.

É preciso ter discernimento, vida espiritual sadia, conhecimento bíblico e um mínimo de informações psicológicas para não se cometer erros, às vezes traumáticos, nesta área tão delicada.

O QUE É NECESSÁRIO SABER?

Antes de mais nada, ter consciência de que existem questões psico-afetivas-emocionais que, às vezes se manifestam sob a forma de variados sintomas, que envolvem distúrbios de humor, distúrbios de caráter, transtornos dissociativos, transtornos de ansiedade, entre muitos outros; que embora, para os menos informados, pareçam “obras do diabo”, são, na realidade doenças de fato, que sofrem dramãticas remissões, com a administração do medicamento adequado.

Um exemplo claro disso é o TOC (Transtorno Obssessivo-Compulsivo), quadro em que uma pessoa, por exemplo, precisa dar três voltas no quarteirão, antes de estacionar o carro; verificar 15 vezes se desligou o gás ou fechou a porta à chave, antes de dormir; lavar as mãos incontáveis vezes por dia, etc.

Embora tudo isso possa parecer “diabólico”, configura um quadro patológico, catalogado no CID-10. Mesmo que a terapia ajude, essa patologia só sofre remissão quando a pessoa é corretamente diagnosticada por um professional competente e medicada.

Washinghands Em segundo lugar, ter conhecimento de que outros distúrbio menos graves, como o rebaixamento temporário da auto-estima, por exemplo, ou um estresse pós-traumático (estresse provocado po traumas como a perda de um namorado, a perda do emprego, a ameaça de um abuso, entre outros) pode ser solucionado simplesmente pelo tratamento psicoterápico, não havendo a necessidade da prescrição de medicamentos.

E, finalmente, ter absoluta certeza de que as manifestações diabólicas ou “possessões’ existem, estão relatadas nos evangelhos e escravizam pessoas. Para essas, não existem benzodiazepínicos ou antidepressivos que funcionem. Somente a libertação, através do poder do sangue e do nome de Jesus.

E POR QUE FAZER ESSAS DISTINÇÕES?

Exatamente para não se cometer injustiças e não se magoar pessoas, desnecessariamente. Eu mesmo já tive de ajudar pessoas profundamente feridas e ressentidas porque, ao procurarem a ajuda de um pastor, foram tratadas como endemoninhadas, sem o menor critério de avaliação.

Pessoas assim, frequentemente relatam episódios de levarem “pancadas de bíblias” na cabeça,  ouvirem gritos histéricos de exorcismos nos ouvidos, terem tido nenhuma consideração pelo ser humano que são e um profundo abalo em sua auto-estima.

CONCLUSÃO

Tendo em vista o que foi considerado nas linhas acima, concluímos que, mais do que nunca, na História da Igreja, os pastores de hoje têm que ter muito mais do que conhecimentos teológicos, para pastorearem seus rebanhos.

Devem ter um profundo conhecimento bíblico e um mínimo de conhecimentos de psicologia e de relações humanas.

Tony Ayres

Crer é Um Ato de Fé

planeta-terra Já passei dos 50 anos de idade. Mas, desde que decidi seguir a Jesus, como meu Salvador e Senhor, pouco antes de completar 12 anos, sempre tive questionamentos em relação ao que está escrito na Bíblia e em relação a como os homens interpretam as Escrituras.

Quando estudei o Darwinismo, no Ginásio; custou-me um pouco, mas logo compreendi que a minha fé teria que superar quaisquer dúvidas, se eu quisesse que ela subsistisse.

Portanto, muito cedo, em minha vida (embora, naquele tempo nem conhecesse a significado da palavra) aprendi que não poderia ser maniqueísta; tampouco ser fundamentalista ortodoxo, se desejasse viver uma vida coerente com a capacidade de discernimento com a qual o Criador me proveu.

Foi assim que cresci. Sempre “correndo por fora” na denominação, no seminário, no ministério e na “ortodoxia” humana.

Hoje, decorridos todos esses anos, vejo pessoas, denominações e até instituições que agregam várias denominações (e digo isso com toda a humildade) chegando às mesmas conclusões que, há muito, em minha vida, eu já havia chegado.

O que, de certa forma, valida o ditado popular que diz ser o tempo o senhor de todas as coisas.

Em um dos posts passados deste blog, deixei transparecer a minha opinião de que, quem quiser ter uma fé de verdade, tem que conhecer “os dois lados” da moeda. Não basta apenas conhecer o “seu lado” e, simplesmente, “condenar” os que não pensam igual.

Vou exemplificar, para ficar mais claro.

Tive um professor que, além de pastor de uma grande igreja no Rio de Janeiro, é também médico psiquiatra. Um homem de fé, simples e sábio, amigo de todos os alunos.

Um dia, ele nos contou em sala de aula que, aproveitando de seus trajes brancos de médico, ele saía para pesquisar os terreiros de umbanda, no Rio, e era até muito bem recebido, pois era confundido como sendo “pai de santo”.

Dessa forma, ele pode inteirar-se de alterações de consciência que ocorriam nas pessoas que ficavam em transe naquelas reuniões, mas a sua fé em Jesus jamais ficou abalada por causa disso. Ao contrário, ele ficou muito mais preparado para levar o evangelho àquelas pessoas necessitadas.

E DAÍ, ONDE VOCÊ QUER CHEGAR?

É a pergunta que muitos podem estar me fazendo, neste momento. Respondo, dizendo que o cristão de hoje precisa aprender a lidar com questões novas e diversificadas, tais como: doaçãode órgãos, aborto de crianças anencéfalas, pesquisas com células-tronco, clonagem de animais e vegetais, novos paradigmas de casamentos, doenças mentais que eram tidas tradicionalmente como “possessões” e muitas outras.

Isso, com certeza, demandará uma re-leitura do Velho e do Novo Testamentos, a des-legalização de muitas “legalidades” e a perda do medo para enfrentar o novo.

Além de, claro, respeito para com a fé dos co-irmãos, pois ainda no século XXI permanece a verdade paulina: “Um faz diferença entre dia e dia; para outro, todos os dias são iguais”…

MEU EXEMPLO PARTICULAR

Há cerca de 20 anos deixei de considerar a a narrativa bíblica da criação de Adão e Eva como uma “fotografia”, passando a enxergá-la como uma “radiografia”.

Isso não comprometeu a minha fé, não alterou a minha comunhão com Deus e; nem por um milímetro, mudou alguma coisa do senhorio de Cristo em minha vida.

No entanto, respeito a todos os meus irmãos que vêem o fato como uma fotografia. Há liberdade na diversidade. Mas, deve haver respeito também.

Consegue entender, então, por que crer é um ato de fé?

Espero ter sido compreendido.

Tony Ayres

Minha Mudança

FOTOS DO BACKUP 282 Amados, tenho ficado algum tempo sem postar. Tempo em que tenho mergulhado em meus pensamentos e tentado buscar dentro de mim algumas verdades que, inconscientemente, estavam me incomodando.

Como resultado dessas minhas reflexões obtive algumas respostas. A principal delas é a de que, de certa forma, perdi o gosto pela blogagem porque, repassando os meus posts, percebi que a maior parte dele contém conteúdo de críticas a posturas e instituições.

Percebi também que, ainda muito mais do que eu, alguns blogs abusam do direito de utilizar livremente a palavra, fazendo críticas, por vezes jocosas, a pessoas de nosso meio, principalmente porque isso “dá IBOPE”.

Porém,a crítica gratuita, a crítica pela crítica não tem o condão de resolver problema algum, além de não edificar.

Assistindo ao filme “Olga”,dei-me conta de que, talvez, a maioria de nós, blogueiros cristãos, não estamos dispostos a abraçar a uma causa e lutar ou militar por ela, a não ser virtualmente; o que, convenhamos, é muito fácil.

Lembrei-me do Código de Ética que prometi seguir, quando da conclusão do meu curso de formação de psicanalista. Por esse código, comprometi-me a respeitar a dignidade humana das pessoas.

Assim sendo, o tanto quanto possível, procurarei ser menos crítico e mais agregador pelo lado positivo. Afinal, apesar das muitas mazelas, a Igreja continua a ser o Corpo de Cristo na Terra. E esse Corpo têm muitas coisas positivas, que devem ser destacados.

Isso, por si só, promoverá edificação.

Continuo a prezar e a respeitar os colegas que permanecerem na linha de apontar erros e posturas inadequadas.

Mas procurarei me conduzir por essa nova conduta (que descrevi no início) em minhas postagens.

Em Cristo,

Tony Ayres

Traços de Um Abusador

300_151345 Na condição de uma pessoa que tem que lidar com a restauração de divorciados, tenho enfrentado situações que se repetem muito freqüentemente. Geralmente as pessoas, em especial, as que costumam ir à igreja, imaginam que a violência doméstica não acontece em relacionamentos entre pessoas cristãs. Nada poderia ser mais falso.

Após anos observando relacionamentos destrutivos, descobri doze traços que, quase que na totalidade dos casos, são comuns aos abusadores.

Os homens podem ser abusados por mulheres, mas as vítimas são, predominantemente, mulheres.

Um abusador, tipicamente, apresenta as seguintes características:

1. Charme

De início,ele tem, para com sua mulher, palavras de carinho, incentivo, admiração e atenção. Ele a corteja de maneira doce e intensa. Seu vocabulário está repleto de frases do tipo: “não posso viver sem você”, “você é tudo para mim”, etc. Através disso, ele torna a relação tendenciosa, tornando-a favorável para ele.

2. Ciúme

Ele passa, então, a enxergar os outros homens como uma ameaça ao relacionamento e começa a acusar a mulher de flertar com todo mundo, desde seu irmão até o carteiro. “Eu sei que você está olhando para ele” - é o jargão que utiliza. A ironia disso tudo reside no fato de que, comumente, ele é quem flerta com outras mulheres.

3. Manipulação

O homem abusador é muito inteligente. Ele sabe como detectar as fraquezas da mulher e utiliza sua vulnerabilidade e dores passadas, a fim de tirar vantagens. Não é incomum vê-lo dizendo coisas do tipo: “Abusaram de você, quando criança porque você sempre foi uma pessoa muito feia”.

4. Controle

Ele quer saber onde e com quem sua parceira está, durante todo o tempo. Ele pode checar a quilometragem do carro ou segui-la até o armazém. Ele recusa-se a permitir que ela trabalhe fora, alegando que lá ela poderá “encontrar alguém”.

5. Uma Vítima

As escolhas pobres que o abusador costuma fazer são sempre culpa de outras pessoas. Quando ele perde o emprego, entra numa briga, alega que sua demissão é responsabilidade de outra pessoa. É sempre o outro o culpado e ameaças são comuns: “Vou bater em você!”

6. Narcisismo

O mundo inteiro se revolve ao redor dele. Como a “pequena mulher está sempre por baixo”, é tarefa dela suprir todas as necessidades que ele tem. Ele é o mestre, a parceira é a escrava sem valor. Não é conveniente para ele reconhecer que todo mundo ao redor age de forma diferente da sua.

7. Inconsistência

Mudanças de humor constituem uma característica marcante em todo abusador. Num minuto, ele parece feliz e doce; no minuto seguinte, torna-se uma fera.

8. Crítica

Não importa o quanto sua parceira tente, ela nunca será capaz de satisfazer esse tipo de homem. Ele não acha nem um pouco degradante acusar verbalmente a parceira: “Você é estúpida, gorda...um lixo, que não pode viver sem mim. Nenhum outro homem iria querer você!”

9. Isolamento

O principal objetivo do homem abusador é isolar sua vítima da família e amigos, de forma que ela fique totalmente dependente dele. “Sua família traz muitos problemas para nós. Não quero que você veja alguém deles outra vez” - é a exigência comumente estabelecida.

10. Hipersensitividade

Para o indivíduo do tipo abusador, o mínimo deslize é como detonar uma bomba. Ele é extremamente susceptível e ira-se facilmente.

11. Crueldade

Um número significativo de abusadores machuca crianças e animais, assim como machuca também a parceira. Infligir dor e intimidar os outros é o que dá a ele poder. “Vou matá-la, antes que você vá embora. Se eu não posso tê-la , ninguém mais a terá.”

12. Arrependimento Insincero

abusosexual-300x298 O abusador jurará “nunca machucar novamente”. No entanto, a menos que ele receba ajuda profissional e seja obrigado a prestar contas severamente, é muito pouco provável que ele mude.

Vimos, por esses poucos tópicos, que muitas pessoas cristãs podem estar vivendo um relacionamento abusivo. Elas precisam ser identificadas, aconselhadas e profissionalmente tratadas.

Para os líderes de igrejas é indispensável identificar essas situações, principalmente, levando em conta que é muito fácil para um indivíduo abusador enganar e manipular a igreja. Embora os cristãos sejam chamados para serem pessoas amáveis e bondosas, isso não significa que comportamentos cruéis e pecaminosos devam ser tolerados.

Um abusador sabe exatamente o que fazer eo que falar, a fim de ter a igreja “do seu lado”. É preciso ter sabedoria e discernimento para lidar com esse tipo de pessoa.

Tradução e adaptação de Tony Ayres,
Do original em Inglês: “Traits of an Abuser”,
De Laura Petherbridge

Feridos Em Nome de Deus

livroferidos Não tenho procuração, interesse financeiro ou desejo de promover a Editora Mundo Cristão; tampouco sou seu funcionário ou tenho qualquer vínculo com ela.

Mas tive com essa editora a experiência pela qual todo escritor passa, quando se vê frente a frente com um novo título sobre o qual ele diz: “Esse é o livro que eu gostaria de ter escrito”.

Isso aconteceu comigo, quando deparei-me com o livro “Ferido em nome de Deus”, de autoria da jornalista Marília de Camargo César.

A obra empogou-me tanto, que não resisti em colocar a sinopse do livro, retirada do site da editora, aqui no meu blog. Ei-la:

“Quando a fé se deixa manipular, pessoas viram presas fáceis de toda sorte de abuso. A confiança autêntica e sincera em Deus é gradualmente substituída pela submissão acrítica aos desmandos de lideranças despreparadas.

Carentes de acolhimento são habilmente capturados pela manipulação emocional de líderes medíocres de plantão e ambos seguem de braços dados experimentando religiosidade fútil e meritória, barganhando a todo momento com Deus.

Por ser uma religiosidade descaracterizada da adoração sincera, mais cedo ou mais tarde o castelo de cartas desmorona deixando feridas abertas pelo caminho.

É esta relação doentia que a jornalista Marília Camargo desvenda em seu primeiro livro. Uma reportagem que avança pelos meandros da igreja evangélica brasileira liderada em boa medida por pessoas embevecidas pelo próprio poder de manipular e escravizar aqueles pelos quais Cristo morreu.


Ao lidar com feridas não cicatrizadas, em seu debut literário, Marília revela a urgência de um novo tipo de liderança, não autocrática, e de um novo membro, mais confiante em Deus e menos dependente do pastor local, a fim de que o espaço da igreja seja saudável, criativo e curador.”

mariliacamargo Evidentemente fico feliz por Marília ter tido a coragem de abordar tão francamente essa questão que, para mim, tem sempre sido inquietante. Acredito que o livro venderá muito, pois, muitos também têm sido os feridos, abusados e manipulados por líderes ególatras, em nome de Deus.

Já há algum tempo, editores da blogosfera cristã têm se ocupado em denunciar esses abusos. Agora, as editoras cristãs começam a ter coragem também de publicar livros que não agradam a cúpula.

Minha fé e minha esperança é a de que, muito breve, o novo tipo de liderança, preconizado por Marília, aliada ao crescente amadurecimento dos membros das diversas denominações faça com que os “caciques evangélicos” sejam substituídos por gente boa e sábia. Daquela bondade e sabedoria que só podem ser obtidas, a partir da simplicidade de Jesus.

Como disse Salomão, “tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do sol”.

Soli Deo Gloria

Tony Ayres

Observação: Na foto, a autora do livro

Raiz Rasa, A Causa de Muitos Males

trabajador-frustrado Às vezes, a maior luta ou o maior empenho de um médico para tratar de seu paciente está ligado à questão de sua capacidade de, mediante a análise dos sintomas, formular um correto diagnóstico.

Em outras palavras: somente um diagnóstico preciso é que permite o tratamento apropriado e a a possibilidade de cura .

É impressionante como essa premissa aplica-se em todos os setores da vida dos seres humanos. Mas, quando enxergamos nossas mazelas existenciais sob esse prisma, o que nos surpreende mesmo é a constatação de como um único diagnóstico; ou, se quisermos, de uma única causa, é o elemento gerador de muitos males vivenciados pelo homem.

Para demonstrar essa realidade, vamos tomar o texto bíblico da parábola do semeador na qual Jesus diz, referindo-se às sementes, que uma parte delas "caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porquanto não tinha raiz, secou-se" (Mat. 13. 5-6). Vejamos alguns poucos exemplos de como "a falta de raízes" é a razão do fracasso:

1. O CASAMENTO QUE NÃO DÁ CERTO

O que se observa em quase todos os casamentos desfeitos é que, desde o princípio, ou à partir de algum momento, ambos ou apenas um dos cônjuges deixou de dar prioridade à relação ou ao vínculo matrimonial, começou a negligenciar o seu papel e a permitir-se algumas irresponsabilidades ou "privilégios" que a relação conjugal não comporta.

Em outras palavras, a união entre marido e mulher ficou "rasa", ficou sem raízes e se secou. O resultado, como seria de se prever, acaba sendo a separação ou o divórcio.

2. A PROFISSÃO MAL SUCEDIDA

Um indivíduo, quando escolhe uma profissão, na época de estudo, por exemplo, pode fazê-lo por várias razões: ou porque sabe que aquilo é a sua vocação; ou por imposição dos pais; ou por imperativo das circunstâncias.

O certo é que uma profissão pode ser exercida, pelas razões acima, ou com boa ou com má vontade. Neste último caso, a pessoa se frustra, não se sente realizada, o trabalho se torna enfadonho e, como consequência, pela falta de envolvimento, ocorre o desinteresse, a negligência; que, em muitos casos, faz com que essa pessoa seja demitida ou se demita do emprego.

Como vemos, a falta de "raízes" em relação à profissão é que inviabilizou a sua continuidade.

3. O EMPREENDIMENTO QUE FRACASSA

Algumas vezes, encontramos pessoas ávidas por serem empreendedoras, mesmo não tendo o perfil do empreendedor. Quando isso acontece, geralmente há um planejamento superficial do negócio, ocorre queima de etapas importantes, prioridades erradas, gastos desnecessários e a previsível derrocada de algo que até poderia dar muito certo, se realizado na perspectiva adequada.

Entretanto, como nada foi feito com a amplitude desejável, as “raízes” ficaram, mais uma vez, muito rasas e o resultado acaba sendo o fracasso do empreendimento.

raiz3 4. A FAMÍLIA SEM HARMONIA

Dentre as organizações humanas, a constituição e o desenvolvimento de uma família saudável é, sem dúvida, o mais desejável para que também os seus integrantes se transformem em cidadãos com noções corretas de civilidade e cidadania.

Ocorre, entretanto, que muitas famílias, por razões diversas, se tornam disfuncionais. Os pais acabam por negligenciar os seus papéis, chegando mesmo a ignorá-los em razão da supervalorização da área profissional, por exemplo; prejudicando, dessa forma, os filhos que, vítimas desse não pertencimento, no presente; serão os reprodutores do modelo, amanhã, perpetuando, dessa forma, o paradiga familiar doentio.

As raízes familiares plantadas pelos pais são rasas demais para a construção de uma família completamente funcional, o que resulta num agrupamento de pessoas sob o mesmo teto, as quais se sentem pouco comprometidas umas com as outras, o que redunda em desarmonia e falta de entrosamento entre elas.

CONCLUSÃO

Nota-se, pelos poucos exemplos enumerados acima, que não apenas a semente do Reino deve ser plantada em solo preparado e fértil.

As nossas realizações humanas, empreendias ao longo da vida, nas mais diferentes e diversificadas áreas, também devem obedecer ao mesmo princípio.

Caso contrário, o que quer que venhamos a realizar terá sempre o cunho de raso, superficial e epidérmico; jamais chegando a ser profundo, essencial, necessário ou indispensável.

Portanto, assim como “pelo fruto se conhece a árvore”, da mesma forma, pela profundidade das raízes se conhecerá a qualidade da planta dela nascida.

Desenvolver laços que representem raízes profundas e saudáveis é, então, condição indispensável para uma vida melhor, mais produtiva e mais realizadora.

Que possamos atingir esse objetivo.

Tony Ayres

Reconhecendo a Pessoa Deprimida

Indícios da Depressão
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Para Além da Redoma Gospel

fernanda-brum

Um dos temas que mais tem me preocupado, nos últimos tempos, é a realidade que constato de que, apesar de estarmos prestes a completar já a primeira década do século XXI, ainda predomina, na cabeça de muitos cristãos evangélicos a convicção de que temos de viver dentro da nossa circunscrita redoma gospel.

Aliás, "gospel" é uma palavra que, originariamente, é um substantivo, na língua inglesa, e significa, em português, evangelho.

Só que nós a transformamos em adjetivo. Portanto, temos: cantor gospel, show gospel, site gospel, CD gospel, música gospel,banda gospel, filme gospel, empresa gospel, livro gospel, pousada gospel, loja gospel, hotel gospel e por aí afora.

Não seria de se estranhar, se daqui a pouco, como paradoxo dos paradoxos, surgirem também os pastores gospel, as igrejas gospel e, pasmem, as bíblias gospel!

Há alguns anos, durante um curso que ministrava, tive um sério, mas muito produtivo embate com um dos participantes, que se professava membro da instituição religiosa "Testemunhas de Jeová".

O motivo de tal embate era exatamente o meu questionamento do porquê ele, como membro praticante de tal denominação, só restringia as suas leituras às publicações da Sociedade Torre de Vigia (em inglês, Watchtower Society).

Similarmente, hoje, parece que, para muitos cristãos, alguma coisa só pode ser lida, vista, assistida ou consumida, se for gospel, o que, no mínimo, é um contra-senso, pois contraria frontalmente os ensinamentos de Jesus.

Apenas para dar um exemplo, permita-me uma ilustração.

Com todo o carinho, respeito e admiração que tenho pela cantora Fernanda Brum, minha opinião (e penso que tenho respaldo bíblico para isso) é a de que, com todo o talento que ela tem, estaria sendo muito mais coerente e útil ao Reino de Deus, cantando músicas românticas, ao lado de outros cantores como Maria Rita, Fábio Jr., Ana Carolina e tantos outros.

Ela não seria "mundana", "secular" ou "menos cristã", por causa disso. Teria uma oportunidade maravilhosa de ser uma testemunha do Reino de Deus, num meio onde o Reino de Deus mais precisa ser conhecido.

E o mundo, fora da redoma gospel, teria oportunidade de ouvir uma cantora talentosa, com um irretocável testemunho cristão.

Honestamente falando, creio que já é tempo de pararmos e refletirmos sobre essa questão.

Existe conhecimento proveitoso, oportunidades e meios para uma atuação verdadeiramente cristã, fora e para além da redoma gospel.

Tony Ayres

O Drama de Um Workaholic

workaholic_230_w4b Workaholic é o termo que utilizamos para designar a pessoa que é viciada em trabalho, um tipo de doença emocional que atinge mais os homens do que as mulheres.

O workaholic sai muito cedo para o seu trabalho, é muito dedicado em todas as suas obrigações e tarefas dentro da empresa; portanto, trabalha muito e volta tarde para casa.

Normalmente ele é financeiramente bem sucedido, mas um fracasso como pai de família e esposo. Não vê os filhos crescerem e seu contato diário com eles se limita a uma olhadela, quando já estão dormindo.

Sua esposa, normalmente, já se encontra cansada demais para tentar mudá-lo e, por isso, vive estressada e infeliz.

O QUE ACONTECE COM A VIDA DE UM WORKAHOLIC?

Para explicar isso, utilizaremos a figura a seguir, que mostra que todos nós desempenhamos os nossos papéis em quatro importantes áreas na vida: a área familiar, a área conjugal, a área profissional e a área social.

areasdepapéis Para que vivamos bem, há necessidade que haja um perfeito equilíbrio entre essas áreas, ou seja, todas devem ter o mesmo peso e a mesma importância.

O workaholic, no entanto, superdimensiona a área profissional, gastando nela todas as suas energias e nela investindo todas as suas fichas, fazendo com que ela ganhe mais destaque em sua vida. É como se ela ficasse contaminada por um "vírus", o "vírus do trabalho", que representaremos com a cor amarela:

araprofComo uma espécie de "infecção" o "vírus do trabalho "contamina" todas as outras áreas, que sofrem os efeitos da "virose". Logo, a vida familiar, a vida conjugal e a vida social do workaholic são atingidas e ele não consegue mais lidar com elas por falta de tempo, vontade e energia, que ele investe totalmente na área profissional.

A figura para representar essa situação seria a seguinte:

areass contVemos, então, que o superdimensionamento ou a supervalorização que o workaholic dá  à sua vida profissional prejudica o seu relacionamento conjugal, familiar e social, tornando toda a sua vida disfuncional.

ENTENDENDO AS MOTIVAÇÕES DO WORKAHOLIC

As pesquisas têm demonstrado que a maioria dos indivíduos workaholics tiveram pais muito rígidos, que os cobravam demais, quando eram crianças, e nunca ficavam satisfeitos. Sempre exigiam perfeição e desmereciam os filhos, dando a  entender que eles "não serviriam para nada na vida".

Logo, o comportamento de um workaholic possui motivações inconscientes e constitui como que uma "prova" de que ele está dando a seu pai (mesmo que este já tenha falecido há muito tempo) de que ELE É CAPAZ e o sucesso profissional é a "prova" de sua capacidade.

Counseling O QUE FAZER, ENTÃO?

Conforme podemos ver, embora faça toda a sua família sofrer, o workaholic é apenas uma vítima da maneira como foi criado.

Dessa forma, as críticas que ele recebe da esposa reavivam as críticas que recebia de seu pai e retroalimenta a sua disfunção cada vez mais, de tal forma que ele passa a evitar até o confronto com ela.

A esposa de um workaholic precisa, por mais penoso que isso seja, mudar urgentemente a sua postura, deixando de criticá-lo, passando a elogiar o seu esforço para prover a família, mostrando-lhe amor e compreensão; mas fazendo-o ver também que ela e os filhos precisam mais da pessoa dele por perto, do que de todo o dinheiro que ele traz.

Se possível, isso deve ser feito com a ajuda de um terapeuta familiar ou de um conselheiro matrimonial.

O tratamento costuma dar muito bons resultados e inúmeros casamentos prestes a fracassarem têm sido salvos, graças a esse tipo de conscientização e do amor genuíno de esposas que não desistiram de seu casamento.

Se você vive ou conhece alguém que viva esse tipo de situação, por favor veja ou faça ver que mesmo o casamento com um workaholic tem muita chance de tornar-se feliz.

Tony Ayres